"A ESCRITA É A PINTURA DA VOZ." VOLTAIRE


É hora de descer do carrossel

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Acordei para a vida.  A necessidade de vivenciar o REAL se manifestou em lágrimas exprimidas. Uma sensação de perda e uma constante dor me fizeram despertar. Eu preciso é pôr as mãos e a cabeça no cotidiano, café quente, chuva fria, coração no peito, seu lugar. A vida não é como nos filmes e não posso viver a minha como se fosse uma comédia-romântica ou drama da década de 50. Não sou uma Marilyn, tampouco uma Bette Davis. Vi-me fadada a viver assim, “all in my mind” por dentro e “like a Rolling stone” por fora. Arrostar o real é isso, e isso é inerente a sopesar minha entrega às emoções. Fui mais longe que poderia, voei mais alto do que suporto, o que falta-me é juízo de gente comum, esbarrei, tropecei e caí inúmeras vezes, perdi o passo em prol de bobagens, à flor de uma imaginação fértil, feitos sem finalidades palpáveis ou minimamente gratificantes, o que me restou foram as cicatrizes, feridas latentes, olhos vazios de quem carrega uma dor oculta somados a um sorriso bizarro de quem só está ali, de corpo presente, não como o mistério de que fala Leminski sobre uma dor charmosa, uma “dor-tesouro”, esta é arrastada, impenetrável, nela não há charme. Tampouco o grito ou o protesto como em Clarice (Sinto-me íntima por assim dizer), há dor, dor apenas, rústica talvez. E os anjos da minha convivência, ah! Meus anjos de carne, ossos e boas intenções, os fiéis da minha inconstância, que muitas vezes não compreendem meu olhar insano e humor variante, mas abraçam assim mesmo e sem sequer questionar acolhem meu desassossego no seu afeto.
É a hora de descer do carrossel, sem atrasos devo urgentemente ajustar-me e TENHO DITO! Oficialmente faço saber em todos os setores da minha vida: É tempo de fechar portas e adentrá-las também, escolhas e decisões, entregas e reservas, conjugar finalmente o verbo ESCOLHER, nesse  acervo que construí de infinitas possibilidades, quais eu não me atrevo(ia) a  me pegar  numazinha sequer. Assento-me de modo que quando me levantar não seja para mais um vôo longínquo e sim para pisar no chão, chão de verdade, pois estarei pronta para dar o primeiro passo a fim de ser "normal",de mim, de dentro para fora.  

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