Sabe viver não me intimida. Cotidiano, quefazeres, horários... Mas pessoas, pessoas me assustam no sentido mais amplo da palavra. Lido com muitas pessoas no meu dia-a-dia, e vez ou outra me deparo com certas afrontas, camuflagens e similares, coisas tais me intrigam, e de fato há na minha rotina alguns trajando esses maus modos. Com isso, penso que se faz muito necessário trazer em si entusiasmo e até mesmo coragem para não habituar-se, sabe “entrar no esquema”. Em contrapartida encontro gente fresca, leve e por isso sábia, que mostram que a vivência educa-nos quanto a conceitos e idéias pré-fabricadas. Por outro lado, há aqueles “alguéns” que não sabem valer-se disso, ou minimamente se interessam, e o meu inconformismo outrora infantilíssimo não me permitia compreender que o jeito é esforçar-se, por vezes agir com indiferença perante certas coisas, deixar ser, porém, sentinela dos meus arredores preservando claro, minha integridade na medida do possível as pessoas do meu cuidado. E têm tanta gente que se importa tanto com aquisições, gente que tanto quer o tanto, um tanto que se faz desnecessário, um tanto que muitas vezes se é ingovernável. O muito é ilusão, se for este muito o material, somos mantenedores, deste país, deste mundo tão desenvolvido em partes e tão submundo em maioria e para os muitos lados que olho vejo frivolidade. Portanto, complacente com o papel que “nasci para desempenhar” me atenho a querer da vida o encanto, a incidência, quero-a de todas as porções e obviamente almejo estabilidade e uma vida confortável à minha medida, fui ensinada desta forma e valorizo essa doutrina. Quando olho para os meus lados, encontro-me numa minha vida tão rica de amor, bondade e meus anjoss, sinto-me realizada porque de tanto e todo muito que quero são estradas tortas, erradas, esburacadas, porque já sei andar e aprendo. A cada nova realização, um banquete de vida, em cada novo aprender um nascimento, horizontes novos apontados e a cada amanhecer é tudo novo se o olhar for doce e permissivo. Tenho poucas certezas e algumas razões, porque é sempre aprender, apreender, e trago força para arrostar o acaso, e os desafios são para mim como galardões, tenho uma certeza carregada de fé o AMANHÃ, pois, em qualquer realidade tem de haver fé, em qualquer realidade o amanhã é uma promessa e assim até o raiar do dia, das emoções que não tocam o chão, vou tentando equilibrar, vou contendo dentro de mim, assim, meu sopro vem transitando meus sonhos em verdades, direcionando-os para a coragem e o afinco com que trato a minha realidade tangível nestes dias de sol em que há chuva também. Alcançar. Alcanço e quando não consigo aos piores me pus nas pontas dos pés a fim de estender-me até onde dá, não me amarro aos desacertos, mas ao presente que eles me têm me dado por mais que seja desconfortável, tenho me sujeitado ao que vem e ao que busco, meus sonhos estão todos na bagagem e no peito é que vai meu coração, assim sigo com tranqüilidade, pois, a minha sensibilidade, qual não me faz mais de refém, de vez em quando ela me freia, lembrando-me que preciso ter cuidado com as fraquezas, as fragilidades e assim, com meu pobre deteriorado interior, pois, hão de ter horas doloridas, é assim e consinto. Busco. Buscar é metade de todos nós. Enfim é vida. É busca infindável pelo infinito, busca na qual estamos todos contidos pelo tempo, e a sapiência resume-se em aprender a dosar a urgência e brandura, afinal respirar um dia cessa e VIDA é mesmo um grande momento, uma nobre caminhada, é cíclica, um breve momento longo e passageiro. Deste modo, tenho por hora indagado, quando a derradeira hora de vida passar pelos meus sentidos tudo terei de abandonar, mas o quê deixarei? Ainda não sei ao certo, mas desejo que seja algo que valha, que seja terno, enfim que seja doce.


