Ando perturbada, tremelicando. Tenho muitas de mim por aqui por dentro, e essa, que ultimamente não me deixa quieta, me faz um convite à razão, posso dizer que eu e a razão não éramos assim muito conhecidas. Conheço melhor uma que vive com o coração na mão, umazinha frágil, dodói. Logo essa impetuosa faceta é de certo estranha à mim, com isso sinto algo fervendo minhas entranhas, as palavras me saem assim: É sua a vida, dirija-a, tome as rédeas e faça cada um de seus dias, faça escolhas, decida, busque, trate com valor suas experiências. O dom de viver é um tesouro – que nem todos sabem de fato apreciar. Sem demagogias, sai-se mais rápido dos maus bocados, vivendo cada episódio e aprendendo com eles, o saldo é sempre positivo. Eu andava mais assombrada que de costume, todo dia acordava naquele estado constante de dor, não a sensação dolente que faz parte da existência, era uma dor mais latente, que as horas só faziam aumentar e durava o dia inteiro e este parecia eterno. Nada tinha sabor, eu não tinha pressa de vida. No entanto, quase olvidei que posso me reerguer, que detenho o controle e o poder de andar com meus pés. Posso sozinha, sei meu caminho, e mesmo que às vezes eu tropece, vivo disposta a me levantar, agora até mais rápido. Quero todo êxtase que deixei de experimentar. Porque viver é isso. Como diz o Lobão, a vida é doce, depressa demais.
