"A ESCRITA É A PINTURA DA VOZ." VOLTAIRE


Que é poesia para você?

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Para mim não é pela rima ou pela cadência, é por alguém, “alguéns”, por poucos, por muitos, é detalhe, é no passear que faz qualquer coisa em lugar qualquer, ela reside no instante, e no instante brota nos olhos a claridade, poesia, está na singeleza dos olhos do observador e do condutor, ela instiga, causa, invade e permite, ela é contorno ou a ausência dele, ela mora no sentimento esboçado, tingido, delineado, composto e depois ela pode até virar palavra, palavra que inflama com emoção, devaneio, dor, e transparências, poesia é fogo, e seus versos labaredas. Poesia é nascer, o nascer das verdades puras, sinceras correntes nas veias, na alma de um ser existente. A poesia reside em cada verbo lançado, em cada adjetivo conferido, em cada palavra calada, no hoje e ontem, poesia não tem futuro, não um futuro contente.

Com pouco mais de simplicidade e veemência nas palavras, numa noite apropriada me descreveram poesia com esta beleza, algo mais ou menos assim:

“O nome dele era Amaro (amargo), o nome dela era Dulce (doce), eles formavam um temperado e antigo casal, eles gostariam que em seu fenecimento suas jazidos morassem uma ao lado da outra, com suas discriminações explícitas, pois ele era amargo e ela era doce, e assim completavam-se – Isso é poesia para mim.”