Era uma leve manhã de sexta feira, talvez a segunda de um Setembro, meu edredom floreado estava por sobre a cama dele, o ventilador ao lado dos chinelos dele, a TV por cima de seu rack e o espelho por sua banqueta rústica de madeira nobre. Nossa roupa íntima fazia companhia no varal lá fora e nossos travesseiros aqui dentro convergiam, bem como nossos gastos e desgastes, nossa calmaria e tempestade, ali guardavam-se entre os laços que fizemos em nome do AMOR até aquele momento. E descendo a escada havia ali pela cozinha xícaras rechonchudas e coloridas em rosa e azul, na mesa estavam dois lugares prontos lado-com-lado, mas ali naquele lar não tínhamos mais nossas certezas de um pelo outro, essas voavam lá perto do céu. Naquela enseada eu não saberia dizer se a busca dele queria o meu encontro em todos os finais de tarde como corriqueiramente. Eu não pensava estar nos olhos mais bonitos, desprendidos e apaixonados dele. E a realidade daquele Setembro muito nos abreviava, era prosaica e rasa. Me tomava de frigidez. Portanto pensei não ter achado aquele que um dia já chamamos de amor nos nossos repentes e repetições. Sob aquela impressão entendi que o amor desistiu da gente. E não queria eu naquele dia chorar porque aqui dentro inundo e me afogo... E nem hoje quero, a chuva que agora cai, fria, recebo tal como um presente e peço que Deus deixe chover aqui dentro, pois espero achar na chuva de hoje as águas do meu horizonte, do meu destino.
[Desejo doce chuva a todos os errantes dessa vida.]
