Eu queria mesmo era ser vista. Pronto falei. Não sou um tipão de mulher com curvas quilométricas, que desfila lábios convidativos e cabelos escandalosamente perfeitos, na verdade sou um tipinho até notável, mas desprendido dos padrões, nem tão moderna, nem tão provinciana. Enfim, não é para essa visão que atento aqui, é que eu queria mesmo ter minha alma revelada. ELA de esplendores, brandura, veracidade, intensidades, e delicadamente imperfeita, dona de suas limitações fraquezas, ela traz cicatrizes, marcas do caminho atravessado, contudo, ela fala doce, é cheia de bem quereres. E eu queria mesmo que ela fosse notada, não aspiro elogios, claro que, invariavelmente é bom receber aprovação alheia, mas o que quero, na verdade é uma sorte, ser vítima de uma intuição, um comentário pretensiosamente despretensioso, quem sabe uma espreita. Uma brisa que sutilmente adentra pelas fissuras das madeiras podres que compõem o meu interior. É que eu sei, sou muito e não me podem compendiar, não gosto de ser sintetizada. Pergunte-se a si meu caro, como você me vê? Só quero ser lida, ser percebida, sentir ou subentender, que me vê. E das utopias assim, eu só queria ser possível, aqui nessa vida, aqui nesse contexto.
*
