Escrever é um ato, um dom de magnitude, é um ato que pode cingir muito, pois a palavra revela, alforria, desperta, impõe. As minhas palavras me permitem, me desnudam, não há medida exata, não existem palavras proibidas. Sou eu ali, escrita, exposta. Entretanto, as palavras amortecem, balizam, o significado pode restringir a amplitude do sentir. Então, o silêncio, por vezes tão necessário se descortina é um silêncio tépido, despretensioso, só meu e imune às traduções. Essa é a hora de ir até a janela e lá namorar a lua com meus leves pensamentos.
