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O tempo e eu vivemos numa relação irrequieta, há ardor e repulsa à flor da pele. Nosso caso já dura há algumas estações, em um momento crucial na minha vida foi que depositei nele minhas aflições e assim perpetramos um pacto. Ele me jurou lealdade, e eu professei a ele também. Às vezes ele se excede e me deixa atrás e minhas horas lentas, não têm fôlego para segui-lo, portanto, regularmente sinto-me impotente perante ele, mas quando ele percebe a minha vaga estende-se com brandura, jamais poderia desligar já que, sua fronteira é NUNCA permanecer, ele é um protetor, me espera, à sua maneira espera. Mas mesmo sua gentileza me angustia, pois posso sentir minha vida expelida a cada expirar, pois ele me rouba vida a cada lasca de segundo das suas horas contínuas. E embora ele me salve de catástrofes, morro um pouco a cada dia por culpa dele, execrável pai do interminável. Entretanto, conhece minhas pusilanimidades e sabe que caio constantemente, que meu alicerce é de madeira putrefata. Com tudo, quando ele avança é como uma convocação, pois sabe que posso alcançá-lo e acompanhá-lo, ele recebe minhas preces, nem todas aprova, porém, com ele enxergo mesmo sob a neblina o caminho estreito aonde vou me equilibrando. E toda noite antes de dormir uma promessa, então quando meu despertador toca às 7:30 da manhã, abro os olhos de preguiça e estou viva, e mesmo que não tenha certeza de chegar aos meus objetivos renováveis a cada amanhecer, antes que eu saia de casa abro meus olhos da realidade, grata pelo que tenho e por mais um dia consentido. E a cada dia, uma nova noite e mais uma noite a cada novo dia, mais planos a cada hora e mais tempo para minha vida.
