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Por esses dias assim sem de quê, acordei com medo. Não tive nenhum sonho ruim, nem tinha um grande desafio aparente naquele dia amanhecido, mas me sentia inquieta, como se estivesse ficando adoentada, era um tipo de medo que não sentia a um longo tempo, desde que descobri em mim uma idoneidade que em muitos pode não ser uma qualidade e sim uma deformidade, calcular, para ser mais exata avaliar previamente fatos ou intenções. Claro que, isso em mim pode ser um defeito, muito embora eu já tenha a dose certa para lidar e assim domar esse tipo de intuição, fazendo uso dela apenas para o meu próprio bem, sem lesar qualquer pessoa, a menos que o intuito dessas seja me depreciar, mas isso já não me cabe. Enfim, disponho dessa propensão, que não acredito ser comum em tantos, portanto já não ando por aí tão rodeada de confusões ou “like a rolling stone”, tenho aprendido como melhor me portar e mesmo arrostar quando se faz necessário. Contudo, nesta ocasião sinto-me afugentada, tenho medo, medos, em torno de mim há uma escolha que muito me será dispendiosa e fico aqui sem muita força para pôr em prática meus pensares, não tenho nutrido mais tantas dúvidas, eu não, vez ou outra elas que me cercam e me sugam como se fossem me absorver por completo. Dos meus sentimentos asseguro que jamais intentei para magoar pessoas próximas ou ainda as que me fizeram sangrar, mas como vivemos sem fazer doer em nós ou em alguma pessoa? Acho que isso não existe, e dôo por tanto, preciso deixar cair esses pesos que a obstinação me faz amontoar nas costas simplesmente porque acho que devo transportar, eu preciso em algum breve instante ter uma mão sobre meus ombros, erguer meus olhos e perguntar, “que faço agora?” e assim obter uma resposta oportuna que não vai sair da minha própria boca. E me examinam por ser “auto-suficiente”, e ao contrário por brincar com certa puerilidade, passeio entre esses extremos. No entanto, eu sei que preciso continuamente fazer por mim, sopesar por mim, cuidar de mim e replicar às minhas próprias perguntas, porque sou crescida, sou dona de mim e eu tenho de acalentar minhas lágrimas quando a criança que há em mim se põe a chorar. Contudo, tenho sorte, encontro tanta boa vontade e AMABILIDADE pelo caminho, provem dos meus anjos, pessoas da minha vida doadoras de toda ternura, cuidado e apoio, sou grata, muito grata amando-os e ofertando-os tudo mais em verdadeira recíproca. E tenho por dentro fragilidades severas e essas me punem, logo compreendo que na minha trajetória há indefinições a serem encaixadas como um quebra-cabeça e algumas dessas sem as peças necessárias, isso nunca foi admissível para ninguém senão para mim, e a mim preciso conhecer mais e mais e me aceitar, me acolher. E recentemente tenho me cansado de ser tão solitária onde ninguém enxerga, canso de ser deserto e canso de me espremer, de ser assim dolorida, porque canso de dilacerar minha pele e limpar o sangue, canso de ser uma alma avulsa no mundo alheio e canso de ME ser, ser assim tão cansada desses cansaços que tenho. E mesmo tão exaurida, como se fosse possível, ainda sobram-me forças para sentir medos agora, pois também penso que levo uma moça por aí, adentrando, passeando, participando da vida dos outros, uma moça que no seu mais profundo traz amargura e no mais raso um belo sorriso amarelo que a tantos confunde, porque ela se confunde e por isso não sabe ao certo quem é, e vê-se arrastando “alguéns” pela inércia da sua vida, canso de ser tão profunda, de ser rasa. Trago comigo inocentes nesse caminho que trilho, que não sei onde vai dar, porque eu sei o que eu sei, o que eu sei é onde quero ir, eu sei dos bons sentires que tenho, sei da minha bondade, da minha pureza e por isso não quero olhar na vida de outros e não achar quem eu sou em sua lembrança, pois, eu bem quero e bem quero ser querida. Já se faz noite e aclarações começam a rajar no céu fosco, não tenho força nenhuma nesse ensaio primitivo e desarrumado, qual ousei esboçar aqui no meu caminho, mas quer saber, se o caminho é meu deixo nele as pegadas que quiser. Enfim, por hora vou me pôr a descansar e amanhã vou me vestir para a festa, do meu lindo dia de trabalho e estudo e amanhã e depois e depois, e depois continuo a me cuidar a fim de ser alguém de verdade, ser possível enquanto vida houver. Desejo luminosas projeções para os horizontes vindouros e espero um amanhã que tão lindamente me foi prometido. Boa noite.
